Olhar Digital testou os principais GPSs do mercado
Testamos os principais aparelhos de GPSs do mercado! Wharrysson Lacerda para o Laboratório Digital
Programa exibido na RedeTV no dia 27/04/2007
Diga adeus às páginas e mais páginas dos guias de ruas. No que depender da tecnologia, esses inseparáveis companheiros do motoristas das grandes cidades estão com os dias contados.... É claro que nem tudo é assim, tão imediato. Os sucessores dos nossos guias já estão nas ruas sob a forma de pequenos aparelhos retangulares. São os guias digitais, baseados no sistema GPS (Global Positioning System). Quem vive numa cidade grande sabe a dificuldade de encontrar os destinos no meio de uma malha viária gigantesca. Quem vive numa cidade pequena sente ainda mais essa dificuldade quando tem que enfrentar o labirinto de ruas e avenidas das metrópoles. Porém, esses aparelhos, que buscam suas informações numa constelação de satélites que orbita o planeta, ainda têm alguns desafios a vencer para se transformar num produto indispensável em todos os carros. A principal deficiência, aliás, talvez nem seja dos aparelhos e sim do regime de eterna mudança das nossas cidades: ruas mudam de nome, mudam de mão, avenidas surgem e desaparecem e os mapas não são atualizados na mesma velocidade.
Feitas essa ressalva, ainda assim, os aparelhos GPS já são uma alternativa mais atraente que os tradicionais guias e, sem dúvida, muito melhores que a tática de abordar um taxista ou parar num posto de gasolina para pedir informações para o frentista. Afinal, basta indicar a rua de destino ao aparelho e, em poucos segundos, a rota é calculada.
Existem diversas marcas à venda no Brasil, todas na faixa de R$ 1,8 mil – cada uma com suas particularidades. O Olhar Digital convidou diversos fabricantes do mercado para fazer um teste prático e analisar não só a funcionalidade dos aparelhos como traçadores de rotas, mas também conferir outros recursos que podem ser úteis.
Na bancada de testes
Os aparelhos analisados foram o TLevo da Elgin, o Navegador Guia 4 Rodas, da Mio; e o GPS T920, da Airis.
Todos eles podem carregados na tomada, ou então usar o acendedor de cigarros como fonte de energia. Os três têm uma haste para serem afixados ao pára-brisas por meio de uma ventosa. Dois deles contam com um cartão de memória do tipo SD, o mesmo usado em câmeras digitais: neste cartão ficam armazenados os mapas das cidades que, combinados com as informações dos satélites, informam onde você está e como você faz para chegar a seu destino.
O Navegador Guia 4 rodas, da Mio, é exceção nesse quesito: ele vem sem cartão de memória e os mapas estão armazenados numa memória interna. Como resultado, ele tem algumas funções limitadas. Por exemplo: o armazenamento de fotos e músicas fica prejudicado pelo pouco espaço. O T-Levo vem com um cartão de 512 MB, já o Airis vem com 128 MB. Em termos de funções extras, o Airis apresenta apenas um tocador de MP3, o 4 rodas permite a visualização de fotos e o T-Levo traz o pacote mais completo: além da função de MP3 player, ele também acrescenta a possibilidade de ver vídeos.
Todos os caminhos
Ainda que as funções extras sejam um atrativo, nós do Laboratório Digital entendemos que a função básica tem um peso muito maior na avaliação dos produtos. Nesse ponto, a abrangência da área de cobertura é o item mais importante. Depois, vêm a indicação correta de caminhos e a facilidade de manuseio. Nesse terreno, o mais completo é o GPS da Elgin, que trazx grande parte das cidades do estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. O da 4 Rodas é praticamente igual: só não inclui o estado do Rio Grande do Sul. O mais limitado neste caso é o Airis, que guia os motoristas por somente 26 cidades, localizadas basicamente na grande São Paulo e no litoral do estado de São Paulo, além de Belo Horizonte e da cidade do Rio de Janeiro.
A entrada de dados é um fator que pesa muito na escolha. Como os dispositivos não têm teclados, é importante que seja fácil digitar nas telas sensíveis ao toque e que o equipamento automatize a escolha. Neste quesito, temos grandes diferenças entre os três. Falando sobre o Airis, ele é o único que apresenta uma caneta que facilita a digitação, tanto para homens com dedos mais grossos ou mulheres com unha mais longas. Porém também é o único que não autocompleta o nome das ruas, o que economiza muito tempo. Além disso, a letras estão dispostas de forma linear e não seguem os padrões de teclado normais. Além disso, ele não apresenta nenhum botão. Ou seja: toda a manipulação do aparelho tem que ser feita obrigatoriamente pela tela. Um ponto positivo para o Airis é que, apesar de ter a menor abrangência, ele é o único que permite a navegação automática entre os diferentes estados do país.
No 4 rodas existem botões laterais para acesso ao menu e controle de volume, as teclas do teclado virtual também estão em ordem linear, porém, não existe nenhum tipo de caneta que ajude a inserir os dados, isso dificulta a digitação e, se ainda por cima, você cometer um erro, isso pode significar um certo tempo para corrigir. A vantagem está na função que vai listando as ruas que têm o nome próximo ao digitado, assim nem sempre é preciso entrar com o nome completo.
No T-Levo a disposição do teclado virtual praticamente segue a de um computador, o que facilita a vida de quem já está acostumado a digitar rapidamente no dia-a-dia, o recurso de autocompletar também funciona de forma igual ao 4 rodas. Porém, também nele sente-se falta de uma caneta para facilitar acesso às funções: o uso dos dedos em algumas situações é relativamente difícil.
De olho na tela e de olho na rua
Basicamente, tudo que você tem a fazer com um aparelho GPS é entrar com um endereço e seguir as orientações do mapa e as orientações de voz. Mas é sempre preciso tomar cuidado porque, por mais que os mapas estejam atualizados, nem sempre todas as indicações estão corretas. Durante os testes feitos pelo Olhar Digital, os três aparelhos indicaram um retorno, porém a conversão era proibida depois das 17h . Por motivos como esse, todos os aparelhos alertam o motorista no início do percurso a verificarem se a manobra indicada é permitida. Com softwares diferentes, às vezes existe alguma discrepância entre os caminhos sugeridos. Isso ficou nítido quando a equipe do Olhar Digital colocou os três lado-a-lado e saiu às ruas. Num certo ponto, dois dos aparelhos sugeriram que seguíssemos em frente, enquanto o terceiro pedia que entrássemos à direita. De uma forma ou de outra, todos levaram ao destino certo, mas com certeza não necessariamente pelo melhor caminho. É bom salientar que os aparelhos ainda não têm a capacidade de avaliar o trânsito no momento de sugerir a melhor rota.
Fizemos dois tipos de teste usando os aparelhos em locais conhecidos, onde o motorista sempre sabia o melhor caminho, e outro em regiões desconhecidas. Na primeira bateria, percebemos que nem sempre as indicações levam a caminhos mais simples ou rápidos. Porém, no momento em que estávamos perdidos, as indicações foram boas referências. A conclusão aqui é que os GPS, todos em questão, ajudam a chegar a alcançar o destino, mas nem sempre da melhor forma. Esses aparelhos são recentes no mercado brasileiro e, apesar de já existirem lá fora há algum tempo, provavelmente ainda vão evoluir muito - e talvez os mapas e rotas brasileiras precisem de um certo aperfeiçoamento.
Outra função incorporada aos GPS é achar os chamados pontos de interesse. Aí, o 4 Rodas sai em vantagem por poder contar com todo conteúdo do guia da editora Abril, publicado em papel, com uma vasta lista de bares e restaurantes, locais para hospedagem, centros de compra, postos de gasolina, etc. O T-Levo não fica muito atrás, incluindo cinemas, consulados, delegacias e pontos turísticos. No Airis, os pontos são indicados diretamente no mapa, não existe uma lista específica, mas ao posicionar a caneta em cima do ponto de interesse todos os detalhes são mostrados diretamente na tela.
De olho na tela e de olho na rua
A variação de preços entre os aparelhos é muito pequena. Em pesquisa realizada no final do mês de abril de 2007, os GPS apresentavam diferença de menos de cem reais. O T-Levo e o 4 Rodas foram encontrados por R$ 1.899,00. O Airis T920 por um pouco menos: R$1.799,00.
Depois de analisar todos os recursos disponíveis: a melhor opção para nós do Laboratório Digital, é o T-Levo, da Elgin. Decisiva nessa escolha foi a abragência de localidades, muito maior que a do Airis e um pouco maior que a do 4 Rodas. Além disso, o T-Levo permite traçar rotas e ainda tem como recursos extras o MP3 player e a exlcusiva função de exibir vídeos. Isso sem contar o maior cartão de memória, de 512MB. Em segundo lugar, colocamos o Navegador Guia 4 Rodas, da Mio. Ele tem abrangência um pouco menor que a do T-Levo. Além disso, o fato de não ter um cartão de memória conta pontos contra, ao limitar o espaço para funções extra. Em último ficou o Airis. Apesar de ele ser o mais barato e de ser o único a trazer a caneta - que facilita muito a operação -, ele foi também o que apresentou menor abrangência, o que, a nosso ver, compromete a função básica do aparelho de ajudar o motorista a encontrar os caminhos.